Arquivo mensais:março 2012

Promoção Meu vira-lata é uma estrela. Inscrições até quinta. Participe!

30 março, 2012 às 16:07  |  por Fabiana Ferreira

A Promoção Meu vira-lata é uma estrela termina na próxima quinta-feira (5). O sorteio eletrônico será realizado, às 15h. A parceria com o Estúdio Sossella e o Portal Bem Paraná vai sortear um book fotográfico para um dos nossos leitores de Curitiba.

Um dos objetivos desta promoção é mostrar a todos que um cachorro não precisa ser de uma raça pura para ser lindo, cheio de charme e sair bem na foto. Guarde esta lembrança do seu vira-lata. Inscreva-se.

Confira o regulamento!

 

Curitiba caminha a passos lentos na Proteção Animal

29 março, 2012 às 17:59  |  por Fabiana Ferreira

No aniversário de Curitiba fui ouvir algumas opiniões de quem entende de Proteção Animal. A cidade, na minha visão, caminha a passos lentos nesta área. Mas sejamos otimistas que esta história mude, em breve, e possamos nos orgulhar nos próximos aniversários.

Confira os depoimentos da Ong Pense Bicho e Sociedade Protetora Animal.

Aurélio Munhoz, presidente da ONG Pense Bicho e integrante titular do Comupa.

Quais os avanços na proteção animal?

Cito três. Primeiro, a aprovação da lei que proíbe a exibição de circos com animais em Curitiba. Depois, a lei que acaba com a utilização de cães de guarda pelas empresas de segurança. E ainda a retomada do Comupa (Conselho Municipal de Proteção Animal). O problema é que, ao mesmo tempo em que houve estes avanços, também tivemos problemas. Por exemplo, o descumprimento da segunda lei pela empresa de segurança Feroz. Por este motivo, não podemos responsabilizar apenas o Executivo pelos problemas que ocorrem na questão animal. O Judiciário também tem uma parcela de responsabilidade (pelo menos parte dele) por permitir que a lei continue sendo descumprida sem adotar os devidos mecanismos de punição aos infratores. Outro problema é a maneira tímida como a Prefeitura de Curitiba conduz as ações em defesa dos animais. Sei que o processo de mudança é lento e depende de orçamento, mas deveria ter havido mais investimentos e ousadia do município na defesa desta causa. Se Curitiba quer merecer o título de Capital Ecológica, que respeita o meio ambiente e os animais, precisa dar o exemplo. Mas isto não vem acontecendo.

Temos o que comemorar nesta data?

A defesa da causa animal é um processo. Como todo processo, ocorre de forma lenta e gradual. Exige muita negociação, paciência e capacidade para o diálogo. Então, mesmo reconhecendo que temos muito a avançar, devemos comemorar as conquistas que obtivemos. Ao mesmo tempo, temos que permanecer alertas e aprofundar a luta para ampliar estas conquistas. Conquistas que, no caso da Pense Bicho, devem estar ligadas principalmente ao campo da Educação – a área que consideramos mais importante no processo de mudança da realidade.

 

Soraya Simon – presidente da Sociedade Protetora dos Animais (SPAC)

Quais os avanços na proteção animal?

“Houve alguns avanços, principalmente com a lei municipal que pune maus-tratos e a consequente fiscalização dos casos pela Prefeitura através de denúncias registradas no 156”.

Temos o que comemorar nesta data?

“É claro que precisamos avançar muito mais e esperamos que este ano tenhamos novidades, como a execução do projeto para a construção do Centro Municipal de Atendimento de animais em situação de risco e o aumento de medidas para castração dos animais”

 

Chocolate é ruim pra cachorro!

28 março, 2012 às 12:25  |  por Fabiana Ferreira

A Mel, uma cachorrinha mestiça de lhasa apso com maltês, fica louca neste período que antecede a Páscoa. Não pode ver ninguém com chocolate que lá está ela pedindo um pouquinho. Ela pede com charme. Fica em pé, deita, senta, faz de um tudo… Mas chocolate mesmo não ganha. A família Jacometti sabe que o alimento é proibido para cães. A substância teobromina do chocolate tem efeito intoxicante nos animais.

Para amenizar a vontade e compartilhar da comilança com o pessoal, nesta época, ela costuma ganhar chocolates especiais feitos para cães. Precisar, não precisa. Mas o petisco é um mimo para a Mel. 

Logo eu vou contar um pouco sobre a história de um empresário de sucesso que investiu no seguimento de ovos de chocolates para cães. Esta época do ano é a de maior faturamento, seguida do Natal. Curitiba já ocupa o quinto lugar em relação ao mercado brasileiro em faturamento da fábrica instalada na Região Metropolitana.

Hoje eu compartilho com os leitores a entrevista muito esclarecedora com Claudia Pimpão, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da PUCPR e professora titular de Farmacologia e Toxicologia Veterinária. Ela fala sobre os efeitos do chocolate humano nos cães.

 

 Por que é perigoso o consumo de chocolate humano para cães?

O chocolate tem uma substância que o fígado do cachorro não consegue metabolizar com facilidade, a teobromina. O cão leva até seis dias para eliminar toda a substância. Os problemas que podem causar variam de acordo com o peso do cachorro e a quantidade de chocolate ingerida. O chocolate é composto por carboidratos, lipídios, aminas biogênicas, neuropeptídeos, sendo também um alimento rico em derivados da xantina: teobromina, cafeína e teofilina.  A dose letal desta substância pode variar de animal para animal. O teor de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate. Por exemplo, o chocolate branco apresenta um teor maior de gordura do que teobromina e o chocolate meio amargo contém mais teobromina do que gordura, portanto intoxica com maior facilidade.

O que é a teobromina? Quais os efeitos nos cães?

É um estimulante do sistema nervoso central e do coração. Ela provoca um intenso aumento no trabalho muscular cardíaco associado à uma grande estimulação do cérebro, ocasionando arritmias cardíacas graves em cães. Os efeitos clínicos podem ser observados entre seis a oito horas após a ingestão, tais como: aumento da ingestão de água, vômito, diarreia, dilatação abdominal e inquietação do animal. O quadro pode evoluir para hiperatividade, aumento do volume urinário, ataxia (incapacidade de coordenar os movimentos), tremores e estado de apreensão. Podendo ocorrer taquicardia, taquipneia, azulamento das mucosas (falta de oxigenação nos tecidos), hipertensão, aumento da temperatura corpórea e o quadro pode, enfim, evoluir para hipotensão, queda da temperatura corpórea, coma e morte (difícil, mas pode ocorrer). Ainda há o fato de que, como o chocolate possui grande quantidade de gordura, o animal pode apresentar uma gastropatia, acompanhada de vômitos e diarreia, podendo evoluir a uma pancreatite.

 O efeito prejudicial é comum para todos os cães?

Sim, é prejudicial para todos os cães, porém raças menores acabam sendo mais suscetíveis à intoxicação devido ao tamanho. A dose tóxica para Chihuahua e Poodle Toy é entre 15 a 284 gramas e para o cocker spaniel e dachshund entre 85 a 680 gramas.

Qual o tratamento para cães que consomem o chocolate humano?

O tratamento é difícil, porém o objetivo é estabilizar as funções vitais do organismo de acordo com a sintomatologia que está aparecendo. Em geral, o tratamento realizado passa por indução de vômito, lavagem gástrica, uso de adsorventes até duas horas após a ingestão (substância ingerida por via oral que tem capacidade de adsorver toxinas ou substâncias nocivas que estão no estômago ou intestino do animal formando um complexo de fácil excreção juntamente com as fezes).

Após este período, maiores cuidados são exigidos, administração de fluídos por via intravenosa e controle das convulsões (se houver) e controle das arritmias cardíacas. Períodos superiores a 18 horas da ingestão, se os níveis de teobromina forem altos o animal corre risco de morte.

Conhece os chocolates fabricados para cães? Eles são recomendados?

Sim, atualmente existem chocolates destinados ao consumo de cães, que não apresentam teobromina. Porém não há necessidade alguma de dar ao animal.

 

Polêmica nas redes sociais na estreia do Festival de Teatro

27 março, 2012 às 17:14  |  por Fabiana Ferreira

Uma polêmica sobre o Festival de Teatro de Curitiba, que estreia nesta terça-feira (27), ganhou as redes sociais nesta data. O uso de um pássaro, em uma gaiola, em cena da peça que faz parte da Mostra Oficial “Julia”, da Companhia Vértice de Teatro. O Blog Papo Pet foi informado pela produção do espetáculo no Rio de Janeiro que o animal não é mais utilizado na peça, tendo sido substituído por um boneco.

Um vídeo postado no Facebook do MeuAmigoAnimal Marcio Bernstein mostra uma cena na qual um casal discute enquanto a atriz segura a gaiola. Pelo vídeo é possível ver que o pássaro se debate durante a cena e começa a piar. Em seguida, o ator retira o animal da gaiola. As imagens são do espetáculo encenado no Rio de Janeiro.

Protetoras independentes de Curitiba já estavam se mobilizando contra a apresentação da peça na capital paranaense prevista para os dias 7 e 8 de abril, no Teatro Bom Jesus. A mesma peça tem sido encenada no Rio de Janeiro. Um grupo de protetores, em Curitiba, já pretendia acionar o Ministério Público para evitar que o animal fosse utilizado em cena.

O artigo 32 da lei de crimes ambientais esclarece que “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é punível com pena de detenção de três meses a um ano, além da multa”.

A substituição do animal é mais uma vitória dos protetores. Isso mostra mais uma vez a importância da manifestação da sociedade contra os abusos praticados contra seres indefesos.  

 

 

 

Procura-se Maya

26 março, 2012 às 15:52  |  por Fabiana Ferreira

Me surpreendi ao ver este gatinho preto circulando pelas redondezas do Largo da Ordem. A surpresa maior foi pela placa de identificação com seus dados. Geralmente, gatos não têm este tipo de coleira. Mas este gato é o super famoso Boris, do sebo Trovatore. Já foi notícia em diversos jornais e até apareceu em um filme.

O uso de uma placa de identificação com os dados do dono deveria ser seguido por todos aqueles que têm cães e gatos. Difícil pensarmos que vamos perdê-los. São tantos os cuidados e tanto amor, que muitas vezes um pequeno detalhe como este não nos passa pela cabeça. Foi o caso de Maya, a vira-lata adotada filhote pela Clarissa. A cachorrinha sumiu em fevereiro na região do São Francisco/Mercês e a dona desde então está a sua procura.

Durante uma obra em casa, a Maya saiu e não retornou. Provavelmente, o portão ficou aberto e o entra e sai de operários pode ter facilitado a sua saída. O cuidado quando temos estranhos em casa deve ser redobrado. Só nós donos de cães temos esta preocupação de o animal não fugir. De não deixar o portão aberto, verificar onde o cão está antes de sair.

(Maya – sem raça definida – porte médio – dócil – castrada – pequeno corte em sinal de V na orelha – (41) 9123-0333)

Nesta semana me chamou atenção um panfleto. Vários deles foram deixados no meu prédio. Uma yorkshire despareceu. Pertence a uma gestante que está doente. Só mesmo quem tem um animal de estimação e o ama como se fosse da família pode imaginar a dor que passam estas pessoas. Para minha surpresa, soube hoje que a Jade foi encontrada graças a uma divulgação em uma rádio local.

 

Um grande problema nesta questão é que em muitos casos cães de raça são resgatados das ruas. O que não é comum com vira-latas. Sem coleira, a maioria das pessoas imagina que sejam mesmo cães de rua. O que dificulta o encontro de quem os perde. Só eu no trajeto de casa para o trabalho e vice-versa vejo cerca de dez por dia.

A esperança, muitas vezes, de que estes bichinhos desaparecidos estejam bem está na esperteza da “falta de pedigree”, os sem raça definida sabem atravessar as ruas e se virar para descolar uma comidinha por ai. Mas o ideal mesmo é que eles retornem para o seu lar.

Se você viu a Maya, faça contato. Muito mais que recompensa, você estará fazendo uma família feliz.

Meu vira-lata é uma estrela!

23 março, 2012 às 17:35  |  por Fabiana Ferreira

Não perca a promoção “Meu vira-lata é uma estrela”. Inscreva-se até o dia 5 de abril e concorra a um book fotográfico com o Estúdio Sossella. O sorteio será realizado às 15h.  

Meu vira-lata é uma estrela

A promoção é valida para quem mora em Curitiba e tem um cachorro vira-lata (sem raça definida) ou um mestiço (mistura de duas raças conhecidas).

Guarde esta lembrança do seu bichinho. As suas fotos e a história dos dois serão publicadas no Blog Papo Pet. Não perca!

O Direito dos Animais

22 março, 2012 às 15:04  |  por Fabiana Ferreira

Um caso de maus-tratos ganhou repercussão nacional neste ano. Uma cachorrinha yorkshire, espancada até a morte pela própria dona.  Nunca tive coragem de ver o vídeo postado com as imagens de violência contra o animal. Diariamente, também acompanho no Facebook notícias de animais maltratados resgatados por Ongs. As imagens são terríveis. Me pergunto sempre como o ser humano pode ser capaz de cometer tamanhas atrocidades com quem é tão indefeso.

Para tentar manter alguma esperança que este tipo de crime um dia possa diminuir ou até mesmo acabar, além de mostrar à sociedade que os animais têm seus direitos e eles devem ser respeitados, fui conversar com uma das maiores referências em Direito Ambiental do Brasil. Autora do livro “O Direito & os Animais: Uma abordagem ética, filosófica e normativa” (Ed.Juruá).

Danielle Tetü Rodrigues é Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR (2008), Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2002), graduada em Direito pela PUCPR (1993). Advogada e Professora Universitária de Pós-graduação em Direito Socioambiental na PUCPR. Além disto, é membro da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do Estado do Paraná. Vice-presidente do Instituto Abolicionista Animal – IAA; filiada a diversas ONGs protetoras dos animais e Conselheira Consultiva da Revista Brasileira de Direito Animal.

- O que prevê a lei de Crimes Ambientais?

Além da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, promulgada em 1981, da Constituição Federal de 1988 e da Lei dos Crimes Ambientais de 1996, temos outras leis específicas que protegem ou tentam proteger os animais. Contudo, foi com o advento da Lei dos Crimes Ambientais (Lei n. 9.605 de 12/02/1998) que realmente houve um grande avanço na tutela jurídica dos animais, pois os maus-tratos, que antes eram considerados contravenção penal, passaram a ser considerados crime. O artigo 32 esclarece que “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos é punível com pena de detenção de três meses a um ano, além da multa”. O parágrafo primeiro informa que incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos; o que nos remete a Lei 6.638/1979 referente à prática didático-científica da vivissecção de animais. O parágrafo segundo aumenta a pena de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço) nos casos em que ocorrer a morte do animal. Portanto, ainda que não seja o ideal, essa lei ajudou a coibir os maus-tratos em larga escala.

- Por que apesar da lei o direito dos animais é ainda desrespeitado?

O direito dos animais é desrespeitado porque predomina o pensamento e a visão antropocêntrica, em que os animais são equiparados a coisas ou a bens semoventes e, portanto, existem somente para servir ao homem. Além disto, a lei remete o infrator aos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, onda a penalidade se traduz no pagamento de cestas básicas ou de serviço à comunidade.

Qual a importância dos abaixo-assinados que pedem maior punição de quem maltrata os animais?

Os abaixo-assinados normalmente são importantes para demonstrar o posicionamento da sociedade perante determinada situação. No caso da proteção dos animais, os abaixo-assinados também se mostram como fortes aliados na divulgação do fato ocorrido e na união de esforços em favor da Justiça, vez que servem, também, como documentos que instruem as ações judiciais.

- Só a mudança na lei seria suficiente? O que seria necessário para que os animais tivessem mais proteção?

Não. Ao meu ver, além de se ater às questões legais e a importância de revermos o pensamento, a ideologia e o trabalho de todos os operadores do Direito para que ocorra uma interpretação e aplicação das leis de forma prospectiva, evolutiva, respaldando os interesses de todos os seres vivos, é imprescindível priorizar a Educação Ambiental. Esta é, sem dúvida, uma ferramenta muito importante para a conscientização de que os animais são seres sencientes, dotados de sentimentos e sensações, como medo, frio, fome, sono e outras sensações similares às dos humanos e merecem ser protegidos física e psiquicamente.

- A ideia de uma delegacia especializada neste tipo de crime seria importante?

Seria ótimo ter uma delegacia especializada, mesmo porque os animais seriam amparados adequadamente e a sociedade ficaria ciente de que os animais não-humanos também são tutelados; que existem leis que os protegem, que devem ser cumpridas, exigidas, fiscalizadas e impõem uma real punição aos seus infratores.

- Geralmente, as pessoas têm medo de denunciar, se expôr…

Exato. A maioria evita denunciar os maus-tratos aos animais e geralmente se justifica pelo medo em revelar os dados pessoais ou, então, se prende à falta de provas. Mas sabemos perfeitamente que querer é poder; portanto bastaria solicitar a não divulgação dos dados pessoais e o trabalho individual na procura por provas que informem o crime. Em outras palavras, é notória a falta de comprometimento da maioria das pessoas com a proteção dos animais.

- Os animais silvestres são melhor resguardados na questão de fiscalização e até mesmo tratamento?

É diferente. Os silvestres encontram-se em outra categoria do Direito, de modo que o Poder Público tem uma participação mais acentuada e se torna mais visível para as pessoas. Mas na realidade, a Constituição Federal de 1988 protege toda a fauna, independentemente de serem silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

- Como outros estados ou até mesmo países lidam com esta questão?

Existem países que já alteraram o Código Civil e elencaram os animais não-humanos como sujeitos de direito. Isto acompanha um raciocínio mais avançado e apropriado, de modo que a proteção acaba sendo diferenciada. Como exemplo disto, temos o Código da Alemanha, da Áustria e da Suíça. Mas, independente da alteração dos dispositivos legais, há cidades que possuem políticas públicas específicas e que protegem os animais de forma eficaz. Como exemplo, a cidade argentina Almirante Brown, que conseguiu realizar o controle populacional de animais num prazo de 10 anos e, atualmente, a prefeitura precisa realizar a castração de apenas 10% dos animais para manter este controle, além de ter os registros de todos os responsáveis por cada cachorro e gato existente na cidade.

- Como proceder para fazer uma denúncia?

Para denunciar, qualquer pessoa que testemunhar atentados contra animais pode comparecer a delegacia mais próxima do local ou a Delegacia do Meio Ambiente e lavrar um Termo Circunstanciado, espécie de Boletim de Ocorrência (BO), citando o artigo 32 (‘Praticar ato de abuso e maus-tratos a animais domésticos ou domesticados, silvestres, nativos ou exóticos ‘), da Lei de Crimes Ambientais, nº. 9.605/98. Caso haja recusa do delegado, basta citar o artigo 319 do Código Penal, que prevê crime de prevaricação: ‘receber notícia de crime e recusar-se a cumpri-la’. Se houver demora ou omissão, ainda é possível contatar o Ministério Publico estadual. Pode-se enviar carta registrada descrevendo a situação do animal, o distrito policial e o nome do delegado que atendeu o denunciante. Também é admissível enviar fax ou e-mail, ou ir pessoalmente ao MP, sem que haja a necessidade de ser acompanhado por advogado.

Aqui, em Curitiba, é possível realizar a denúncia de maus-tratos contra animais na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente | DPMA , que fica na Rua Erasto Gaertner, 1261 – Bacacheri, em frente à Base Aérea de Curitiba. Tel. (41) 3356-7047, dpma@pc.pr.gov.br. Também tem o Batalhão da Polícia Ambiental do Paraná – Força Verde, que atende pelo telefone 0800 643 0304.

- Do que trata o livro de sua autoria O Direito & os Animais?

Meu livro é fruto de minha dissertação de Mestrado e da minha tese de Doutorado. Mas, mais do que isto, é fruto de meu ideal como ser vivo. Com ele pude gritar ao mundo jurídico e a todos que querem ouvir a minha indignação com o tratamento oferecido aos animais, bem como minha satisfação com o avanço que o Direito dos Animais ganhou no Brasil e no exterior. É uma obra que pode ser lida por qualquer pessoa, independente de ser afeto à área do Direito. Espero que gostem da leitura e que possa contribuir para com a proteção destes maravilhosos seres indefesos contra a louca tirania do homem

 

 

A arte de limpar pêlos

21 março, 2012 às 12:14  |  por Fabiana Ferreira

Roupas pretas e cães brancos definitivamente não combinam. Mas já que preto é uma cor que nunca sai de moda e além disso “emagrece”, impossível abandoná-la. Cães de pelagem longa também são grandes espalhadores de pêlos em roupas, sofás, bancos de carro, enfim por onde passam deixam seu rastro.

Por causa disto, tenho sempre em mãos em casa e no trabalho aqueles rolos de fita adesiva para limpar roupas. Porque é impossível não agarrar o bichinho antes de sair de casa e não dá para perder a paciência com uma cena destas.

Alguém teria coragem de brigar com esta pequena?

Sossella e sua prova de amor

20 março, 2012 às 12:51  |  por Fabiana Ferreira

Saiba como dois vira-latas foram parar na vida deste fotógrafo curitibano

Tem coisas na vida que a gente só faz por amor. Realizar o desejo de alguém que amamos pode ser um desafio inesperado e especial. O melhor de tudo é comprovar que pequenas provas de amor podem ser compartilhadas. Como é o caso de uma convivência diária com um ser que sabe amar incondicionalmente. Neste caso, um cão vira-lata, na verdade, dois. 

Ter um cachorro não estava nos planos do fotógrafo Sossella. Mas depois da união,  com o também fotógrafo Duca, ele mudou de ideia e resolveu realizar o pedido do companheiro de vida. E lá foi em busca de um bichinho. A opção mais fácil foi ligar para a irmã, tosadora de cães. Prático, perguntou logo onde poderia comprar um cachorro. Ouviu dela uma bronca. “Uma vida não se compra”, ensinou e o aconselhou a procurar a Ong Amigo Animal, de Curitiba. Em seguida, desligou o telefone sem se despedir.

Foi assim que Sossella escolheu pelo site da Ong um vira-lata, o Fred. Resolveu ir à sede da organização, seguindo o carro da Julia, na época responsável pela Ong. Na metade do caminho, o carro dela quebrou. Foi quando Sossella se surpreendeu. Ela mesmo escolheu um dos tantos filhotes que estavam no carro. O bichinho, parecido com o visto no site, foi imediatamente adotado. Por sugestão da Julia, ganhou o nome de Fred.

A história poderia ter parado por aí. Mas uma história de amor como esta não acaba assim de repente, sem emoção. Um outro episódio iria marcar este capítulo na vida do fotógrafo. Uma cadela, a Maria, escolheu o quintal da casa de Sossella para ganhar os filhotes. Impossível, fechar os olhos para este fato. Mais uma vez teve a ajuda da Ong. A cachorrinha precisou de cuidados veterinários, em virtude de uma doença, e permaneceu na Amigo Animal. Os filhotes foram colocados para a adoção.

O cão, responsável pela ninhada, era conhecido pelo bairro. Sossella resolveu castrá-lo, afinal, outras crias viriam, em breve, por aí. Após providenciar a castração, ele cogitou devolver o cachorro para a rua. Quando mais uma vez recebeu um conselho valioso, igual ao dado pela sua irmã. “Tudo que foi feito será em vão se este cachorro for devolvido às ruas. Ele não irá sobreviver”, sentenciou a protetora. E mais uma vez, de uma forma surpreendente, mais um vira-lata, nomeado de João, foi fazer parte da família.

Aliás, o fotógrafo é um excelente exemplo. O coração sempre aberto, adotou Mateus, que é criado como um filho. A família vive feliz e a casa cheia de alegria. Basta ver nas fotos, inspiradoras e coloridas que fazem parte do portfólio deste profissional para lá de requisitado.

Aproveito para agradecer a parceria com o blog Papo Pet na promoção “Meu vira-lata é uma estrela” e encerro com um trecho daquela canção do Vinícius “Se todos fossem iguais a você…”    

 

 

 

A Protetora da Vila Tarumã em Pinhais

19 março, 2012 às 11:08  |  por Fabiana Ferreira

Mais uma entrevista da série “As Protetoras”. Desta vez conversei com uma atuante protetora independente de Pinhais. Tive a oportunidade de conhecê-la pelo Facebook. Empenhada em arrecadar fundos para os animais resgatados, a Danielle Rocha usa a rede para divulgar rifas de diversos produtos e desta forma manter os bichinhos que precisam de cuidados. Neste mês, ela está empenhada na rifa da cesta de Páscoa.  

Ela, como todas as outras pessoas que se dedicam à causa animal, tem um coração de ouro. Que às vezes passa por um desânimo temporário e logo depois levanta a cabeça e volta a acreditar na sua importância. A rotina dela é puxada, com onze cães em casa é preciso um bom período do dia para cuidar dos animais, alimentá-los e medicá-los. Logo cedo, já começa a cuidar dos mais velhinhos, a matilha conta com seis na terceira idade. O grupo exige uma atenção maior. Imaginem a hora do almoço da galera. Ela faz todos os pratos separadamente e vai distribuindo para cada um dos cães. Depois limpa tudo para a refeição seguinte.

Mesmo assim, sobra tempo para fiscalizar as ruas de Pinhais e ajudar outros cães necessitados. Quando pode alimenta com ração ou pão e providencia fotos para encaminhá-los para a adoção.

Conheça a rotina desta protetora. Espero que um dia os municípios de todo o Paraná se inspirem neste exemplo e no de tantas outras protetoras independentes.

Desde quando se dedica à causa animal?

Sempre tive cães, mas fiquei conhecida como protetora em 2006. Precisei muito de ajuda para castrar os meus. Precisava de ração e quanto mais as pessoas me conheciam e me ajudavam, mas eu me dedicava à causa. Sempre amei os animais e a cada dia me revolta ver tanto abandono e maus-tratos.

 Como faz para manter os animais e como trata dos outros resgatados? Sou vendedora, faço rifas e peço ajuda de algumas protetoras que já conhecem meu trabalho com os peludos. Hoje o Facebook é muito importante para eu conseguir algumas coisas q preciso para eles. Agora estou fazendo uma rifa de Páscoa para levar quatro peludos no veterinário. Quero levá-los na Sociedade Protetora dos Animais, em Curitiba, gosto muito da Dra. Andreza. Confio no trabalho deles, além de o preço ser acessível. Espero vender a rifa logo.

 Geralmente, resgata qual tipo de animal?

Filhotes, mães, animais que sofreram maus-tratos. Já resgatei todo o tipo de cão, na minha casa não posso mais abrigá-los. Tenho um grave problema com enchentes, mas quando eu consigo “madrinhas” ou qualquer outra ajuda resgato e encaminho para hotel. Cuido em frente minha casa. Monto cabanas nas ruas, alimento e trato do animal. Quando ele está muito debilitado, imploro alguma ajuda, consigo doar vários e providencio a castração. No ano passado, cuidei de onze filhotes na casa de um traficante, consegui doar todos. Para as cadelas já perdi a conta das castrações que encaminhei. Aqui tem muito caso de maus-tratos. É terrível, ultimamente, tenho sido ameaçada de morte pelo telefone.

No seu município, existe algum programa para apoiar os animais sejam abandonados ou maltratados.

Eu desconheço. Acredito que se existisse não viveríamos este inferno. Sou protetora independente. Quem sempre me ajudou com castração foi o Projeto Focinhos.

É fácil achar um novo lar para os bichinhos?

Não é fácil. Mas, às vezes, tenho sorte.

O que te faz continuar nesta luta e não perder a esperança?

Não vou dizer que acredito no ser humano, estaria sendo hipócrita. Deus e os próprios animais me dão forças para continuar. Confesso que muitas vezes penso em desistir, mas não tenho coragem. Nós somos a voz destes animais, não podemos deixar de cuidar e pedir por eles. Eu os amo e vivo por eles.