Publicidade

A dor e delícia da maternidade

MM Tsigarev, “Maternidade” (1998)
MM Tsigarev, “Maternidade” (1998)

Por que tantas mães têm se queixado da condição materna ou colocado à luz dos olhos questões que as incomodam, questionando o papel “santificado” que a condição de ser mãe sedimentou por anos? Uma das respostas que posso dar sem medo de ser feliz é: feminismo.

As mulheres não se veem mais apenas comoa figura materna, pois assumiram outras condições que as colocam mães em certa parte do dia e nem sempre a parte mais gostosa? Como?

Vamos tirar a máscara e jogar a real: nem toda a maternidade foi uma escolha, nem toda maternidade por escolha foi por vontade própria, nem toda vontade própria é assertiva.

Maternidade como casamento e emprego formal são condições de status social que pressupõe a felicidade de acordo com as ditas cujas regras. O assunto aqui é maternidade, então foco nos pestinhas, melhor, nas criaturas mais amadas no mundo. E sim, seus filhos podem ser as duas coisas e não é pecado algum você pensar ou sentir isso.

Ser mãe não faz nenhuma mulher melhor que qualquer outra, mas a torna um ser sem retorno, responsável por outro ser que nem sempre é aquilo que você espera. E mãe sempre espera. Mãe é uma entidade criadora de expectativas e é bom a gente se tocar logo disso, porque a Psicologia adora atribuir os traumas adultos à condição da educação materna.

Quando a maternidade é opção consciente, parece que o caminho fica mais fluido. Entretanto, existe muita projeção e mito como o tal “mãe já nasce sabendo” (preciso confessar uma gargalhada interna) e coisas como amor incondicional, como se não houvesse mães que tenham pensado em esganar o filho e retroagir no tempo.

Eis aqui alguns relatos: “Eu amo ser mãe, mas detesto ter que chamar atenção, impor limites, levantar cedo no final de semana pra fazer tarefa, dar café da manhã, isso cansa muito. O dia a dia não é moleza para as mães que trabalham fora. É cansativo, demanda muito. Nem quando eu não trabalhava fora a maternidade era fácil, pois além de ter ficado obcecada por limpeza, enjoei de ficar em casa, estacionei no tempo, mal sabia das novidades por causa de tanta dedicação com a casa e a família. Sobre o que é maternidade... Eu amo, mas amo também sair apenas com meu marido e amigos e curtir a noitada”, palavras da pedagoga Carla Alves, mãe de Valentina grávida de sete meses.

“Filho é algo maravilhoso, mas dá para viver sem, ou seja, dá para viver nessa vida sem ser mãe. Depois que você embarca na maternidade, muita coisa se perde, inclusive a identidade da mulher. Não é culpa do filho, mas o modo como essa maternidade é vista pela sociedade e a mulher mais uma vez abarca esse papel de santa, coisa que não é. As mães são histéricas, porque os filhos nos enlouquecem e o mais louco é que a gente ama isso”, revelou A.M.J., de 48 anos mãe de um rapaz de 18.

Publicidade

Plantão de Notícias

Mais notícias

DESTAQUES DOS EDITORES