Rússia 2018

Fifa explica recorde de gols de bola parada na Copa 2018

Umtiti marca gol da Fran\u00e7a, de cabe\u00e7a, ap\u00f3s escanteio
Umtiti marca gol da Fran\u00e7a, de cabe\u00e7a, ap\u00f3s escanteio (Foto: Reprodução/Twitter)

O site da Fifa publicou matéria confirmando que a Copa de Mundo de 2018 bateu o recorde de gols em jogadas de bola parada (escanteios, faltas e pênaltis). Nos 62 jogos disputados até o momento, 68 gols foram marcados em jogadas de bola parada, estabelecendo um novo recorde de competição após ultrapassar a melhor marca de 62 na França 1998

Das 32 equipes na Rússia em 2018, 15 marcaram pelo menos 50% de seus gols em lances de bola parada. 

Cinco dos 11 gols marcados nas quartas de final e dois dos quatro marcados nas semifinais vieram de bola parada. 

A Inglaterra registrou na Copa 2018 o recorde de nove gols de bola parada na competição, superando a marca de Portugal em 1966. 

“As bolas paradas provaram ser uma ferramenta importante nesta Copa do Mundo”, disse Andy Roxburgh, membro do Grupo de Estudos Técnicos da FIFA (TSG, em inglês), em uma coletiva de imprensa na quinta-feira que abordou as tendências táticas do torneio. “Ao longo da última temporada da UEFA Champions League, 45 escanteios proporcionaram gols. Aqui na Copa do Mundo, houve 30. Isso mostra eficiência, bem como velocidade de pensamento e ação."

Na avaliação da Fifa, um fator que contribuiu foi a arbitragem. “Os parâmetros para esta Copa do Mundo e o treinamento intensivo que os árbitros receberam antes do torneio levaram a um número crescente de faltas vistas e marcadas. Isso ficou particularmente evidente dentro da grande área, com um recorde de 28 pênaltis anotados até agora, dos quais 21 foram convertidos”, diz texto no site oficial da Fifa.

A postura tática é outra explicação. “Na Rússia 2018, várias equipes deliberadamente passaram sem muita posse de bola, a fim de se concentrar na solidez defensiva, muitas vezes fechando as linhas em torno de sua própria área. Nas poucas semanas em que as equipes nacionais têm para se preparar para um grande torneio, é muito mais fácil treinar e adotar posições defensivas do que os jogadores treinarem movimentos ofensivos. Como resultado, muito mais bolas aterrissam na grande área e levam a penalidades, faltas próximas à área ou resultam em escanteios. Os contra-ataques também costumam ser interrompidos com uma falta ou rebatida para escanteio”, argumenta a matéria da Fifa.

“As 'nações menores' praticam principalmente a defesa porque é mais fácil treinar para isso do que atacar”, disse o ex-jogador da seleção alemã Thomas Hitzlsperger. “Isso torna mais difícil para as equipes maiores marcarem gols. Eles enfrentam problemas que precisam resolver e isso leva à crescente importância dos lances de bola parada”, completou.

O texto da Fifa também fala sobre a dificuldade para defender esse tipo de jogada. “Um fator adicional é que as bolas paradas são extremamente difíceis de defender. Por exemplo, independentemente de uma equipe usar marcação homem a homem ou zonal - ou uma mistura de ambos - em um escanteio, basta apenas um jogador reagir tarde demais ou desviar a bola de maneira errada para o adversário ter uma chance de gols. É muito mais difícil treinar para defender eficazmente os lances de bola parada do que para executá-los bem”, explicou.