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Medo

Ameaça do Coronavírus faz máscaras de proteção sumirem de lojas de Curitiba

Máscaras de proteção viraram artigo de “primeiros socorros” em Curitiba e no Brasil
Máscaras de proteção viraram artigo de “primeiros socorros” em Curitiba e no Brasil (Foto: Franklin de Freitas)

As notícias sobre a presença do Coronavírus, o CONVID-19, no Brasil, confirmada nesta última quarta-feira pelo Ministério da Saúde, em um homem de 51 anos em São Paulo, provocaram filas em frente às lojas de produtos médicos de Curitiba. “Ontem (quarta-feira), quando abrimos tinha gente em fila aqui para comprar a máscara tripla”, disse Thais Carolina Amaro, gerente da unidade da André de Barros, da loja Sanimed. Isso porquê, nas farmácias da Capital o produto já acabou há mais de uma semana.

“Nenhuma farmácia tem mais máscara para vender. E ninguém se planejou pra essa demanda, até porque 30 dias atrás a demanda já tinha aumentado e os distribuidores não tinham para entrega”, disse Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que reúne as 26 maiores redes de farmácias do País. Barreto explica que o insumo para fabricá-las é chinês e como o governo restringiu a saída, está em falta.

A reportagem tentou encontrar as máscaras triplas em lojas físicas, por telefone, em Curitiba e também nas lojas virtuais de farmácias e de produtos médicos. Sem sucesso. As poucas que foram encontradas na Sanimed e na MedClin já estavam vendidas. “Temos das simples e PSS2”, disse Thais. “Mas até essas estão sendo procuradas”, disse. Foram consultadas lojas da Drogaraia, Panvel, Nissei e Pague Menos, além da Sanimed e MedClin, duas grandes lojas de produtos médicos.

Barreto disse que uma parte das máscaras vendidas no Brasil é comprada pronta da China. Outra é fabricada localmente, mas usa insumos produzidos no país asiático. Com o avanço do surto por lá, o consumo interno explodiu e os produtos (máscaras prontas e insumos) deixaram de ser exportados, disse o presidente da Abrafarma.

Três semanas atrás, Barreto contou que uma rede mineira reforçou os estoques e comprou o equivalente a mais de um ano de vendas. Agora, essa empresa está revendendo esse item pelo site da companhia, inclusive para outros Estados. O álcool gel foi encontrado em todos os estabelecimentos, embora a Abrafarma tenha relatado a falta também do produto em algumas farmácias.

Por meio de nota, a RD - RaiaDrogasil informou que nas últimas semanas de janeiro, a procura por máscaras dobrou em suas lojas. “Mas nas semanas seguintes voltou ao normal, desde então, a empresa está providenciando a reposição de acordo com a capacidade de produção dos fabricantes. É importante ressaltar que os consumidores brasileiros não têm o hábito de usar máscara continuamente e, por este motivo, a RD não mantém este item em grandes quantidades no estoque”.

Preços disparam e Procon faz alerta sobre abuso

Além da falta, uma queixa recorrente é com relação ao preço. A caixa, com 50 máscaras, que antes era vendida entre R$ 9,90 e R$ 15, passou para R$ 60, R$ 90 e até R$ 100. Tayana Ulbrich Lepinski, proprietária da MedClin, conta que os fabricantes nacionais da máscara tripla estão pedido prazo superior a 30 dias para a entrega e os importadores restringindo a quantidade vendida. “Os lotes que conseguimos comprar da indústria nacional são para entrega em abril. Já dos importados, de 100 caixas já foram limitadas a 50 e o preço disparou”, disse. Na MedClin também há outros modelos disponíveis para a venda, como o AN95 e o PSS2.

Ambas relatam que a procura maior tem sido por multinacionais que querem mandar o produto para fora ou de pessoas que viajam muito de avião. Tanto Thais quanto Tayana relatam que a demanda por máscara já estava bastante grande desde fevereiro, quando houve a divulgação do novo coronavírus, mas que após a confirmação do caso de São Paulo, a busca, que tinha arrefecido, voltou a crescer.

A diretora do Procon-PR, Cláudia Silvano, alertou ontem que o consumidor não deve se apavorar e exigir nota fiscal caso encontre algum caso de abuso de preço de máscaras. “O Procon não vai permitir que as empresas se aproveitem dos consumidores neste momento. Se encontrou alguma situação de abuso, abra reclamação no Procon, que tomaremos as providências necessárias”, afirmou.

Estudo afirma que quase 70% dos brasileiros estão muito preocupados com o Coronavírus

O mundo está passando no momento por um novo surto de uma doença que, se não for tratada adequadamente, pode ser mortal. A epidemia de coronavírus, também conhecido como Covid-19, já infectou, até a manhã de 21 de fevereiro, 76.823 pessoas com 2.250 mortes. A doença está afetando 29 países e territórios ao redor do planeta, além de transportes internacionais - o navio de cruzeiro “Diamond Princess” está atualmente ancorado em Yokohama, Japão, em quarentena com diversos casos do vírus confirmados.

No Brasil, apesar de alguns casos suspeitos, nenhuma pessoa foi confirmada como portadora da doença. Mesmo assim, o tema é intensamente mencionado pela mídia e nas redes sociais - segundo pesquisa feita pela Toluna, empresa fornecedora líder de insights do consumidor sob demanda, 97% das pessoas já sabem o que é o coronavírus.

O estudo, que ouviu 1.006 pessoas, fez perguntas sobre a percepção que elas têm a respeito do surto de coronavírus e, entre os pesquisados, mais de 67% afirmam que estão pelo menos muito preocupados com a doença. 21% se dizem apenas preocupados, 9% pouco preocupados e somente 2% dizem que não estão nada preocupados.

Das pessoas que afirmam ter algum tipo de apreensão sobre o Covid-19, 67% dizem que por enquanto não estão preocupados consigos mesmos, membros de sua família e amigos, mas se afligem pelo mundo em geral. Já 17% estão receosos por seus familiares e amigos que viajam bastante, e 12% estão angustiados pela própria saúde.

Caso a epidemia aumente e chegue ao Brasil, apenas 18% das pessoas se dizem muito ou extremamente preparados para o cenário, com 33% se dizendo não muito preparados, 28% pouco preparados e 20% nada preparados. Também foi perguntado se os respondentes já tinham comprado algo devido ao surto e apenas 34% disseram que sim. Entre essas pessoas, os itens mais comprados foram desinfetante para as mãos (79%), máscaras (77%) e luvas descartáveis (51%).

Ações governamentais acertadas

A pesquisa também quis saber se os brasileiros acharam que as ações de nosso governo e os de outros países para conter a doença foram adequadas. Para 48% as ações foram apropriadas, para 36% não foram satisfatórias e 17% não quiseram opinar. Já quando se trata de outros países, 59% dos entrevistados acreditam que boas ações foram tomadas, 22% acham que não fizeram o suficiente para limitar a disseminação da doença e 19% não tem certeza sobre o que foi feito. As mesmas perguntas foram feitas em uma pesquisa nos Estados Unidos. Para 54% dos americanos, o governo de seu país tomou as medidas corretas no assunto e para 19% não acreditam nisso. Já quando se trata de avaliar outros países, 39% das pessoas nos EUA acham que governos estrangeiros tomaram boas atitudes para confinar o coronavírus, 31% não acreditam que outros países agiram corretamente e 30% não conseguiram opinar.

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