Automobilismo

F-1 consolida público nos EUA e mira acordo mais lucrativo para transmissões

Não é novidade que a Fórmula 1 mudou seu panorama nos Estados Unidos. Já é uma realidade o crescimento do público americano, que conta com a Fórmula Indy e a Nascar como seus eventos favoritos no automobilismo. Mais de 360 mil pessoas que não assistiram às corridas do fim da temporada passada acompanharam as disputas neste ano depois de verem a série "Fórmula 1: Drive To Survive", da Netflix, segundo um recente estudo da Nielsen.

Essa foi a primeira pesquisa realizada que relaciona a audiência da série com a das corridas na TV. Além disso, 41% dos espectadores da série também assistiram às três primeiras semanas da nova temporada da F-1. Esses novos fãs também trazem um novo perfil ao público das corridas: mais hispânico, mais jovem, mais rico e que vive com crianças em casa.

Neste ano, os EUA voltam a receber dois GPs em uma mesma temporada, o que não acontecia desde 1984, com a expansão do calendário de provas da Fórmula 1. Além da etapa de Miami, realizada no último fim de semana, o país também realizará o GP dos Estados Unidos, em Austin, no Texas. A partir de 2023, o circuito de rua noturno de Las Vegas integra o calendário. O GP de Miami teve seus ingressos esgotados em menos de uma hora, apesar dos preços elevados, em torno de US$ 640 (cerca de R$ 3,2 mil).

O australiano Daniel Ricciardo já não vive mais no "anonimato" quando visita os Estados Unidos. "Quando desembarcava nos Estados Unidos, eu dizia que era um piloto da Fórmula 1 e me perguntavam: 'Isso é como a Nascar? Depois da primeira temporada da série da Netflix, todos os dias que eu estava em algum lugar, alguém dizia: 'Eu vi você naquele programa!'", contou à Bloomberg o piloto de F-1.

"Sem a série da Netflix, não teria esse crescimento do público americano", disse Kevin Clark, apresentador do podcast The Ringer's F1 Show, ao jornal New York Post. O conteúdo virou um dos mais ouvidos na seção de esportes segundo a Chartable, empresa que analisa a audiência de podcasts.

"Comecei a assistir 'Drive to Survive' há três meses e passei de não gostar de automobilismo a ser obcecado pela F-1. Eu leio sobre isso todos os dias, estou no Reddit todos os dias, escrevo sobre isso todos os dias, penso nisso todos os dias", disse o produtor e roteirista de televisão Travis Helwig, de 34 anos, também ao jornal.

A popularidade é resultado de um processo da F-1 em entender o automobilismo dentro da indústria de negócios do esporte, também voltada ao entretenimento. Só em 2012 que os EUA passaram a ter uma etapa permanente no calendário com o circuito de Austin. Cinco anos depois, o grupo americano Liberty Media adquiriu a F-1. O processo de alcance global, com o mercado americano como alvo prioritário, inclui ampliar fontes de receita e aperfeiçoar estratégias de marketing.

Há expectativa de negócios mais lucrativos na próxima venda dos direitos de transmissão. O atual acordo com a emissora foi assinado em 2019 ao valor de US$ 15 milhões (R$ 77 milhões) por três temporadas e se encerra no fim deste ano. O CEO da F-1, Stefano Domenicali, despista quando questionado sobre as empresas interessadas e o valor buscado em um novo contrato, que pode ser cinco vezes maior, segundo o site Sports Business Journal.

O campeonato teve um recorde de audiência nos Estados Unidos na temporada passada com uma média de 943 mil telespectadores por corrida nos canais da ESPN e na rede ABC, um número 54% maior que na temporada de 2020.