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Greve

Servidores ocupam a Assembleia e dizem que só saem após nova proposta de reajuste; veja o vídeo

(Foto: Franklin Freitas)

Centenas de servidores ocuparam na tarde desta terça-feira (9) as galerias do plenário da Assembleia Legislativa, no Centro Cívico, em Curitiba. Eles dizem que só desocupam o local após nova proposta de reajuste pelo governo. A princípio, uma nova sessão está marcada para amanhã, às 9 horas, e seria a última antes do início do recesso parlamentar de julho. Uma comissão de deputados pretende tentar uma reunião com representantes do governo para buscar um acordo. 

A categoria, em greve há 15 dias, realizou um ato com cerca de 10 mil pessoas, boa parte vinda do Interior do Estado em caravanas organizadas por sindicatos. Em protesto por reajuste nos salários congelados há 3 anos, os servidores passaram entoar gritos contra o secretário Renato Feder, da Educação. 

A ocupação ocorreu logo após discurso do deputado Ricardo Arruda (PSL), que defendeu a proposta do governo, de reposição de 5,09% parcelado até 2022. Arruda também comparou os salários dos deputados ao dos servidores, alegando que os parlamentares estão há quatro anos sem reajuste. 

O presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano (PSDB), chegou a suspender a sessão por alguns minutos, após servidores forçarem as portas do plenário, quando já era o deputado Tadeu Veneri (PT) quem discursava na tribuna. A sessão foi retomada quando os servidores se acomodaram nas galerias, mas a sessão foi "acelerada" para em seguida ser encerrada com as votações da ordem do dia. A sessão acabou por volta às 16h35.  

Todas os acessos ao plenário da Casa foram fechados, e os deputados e funcionários da Assembleia ficaram impedidos de sair.

Após provocar uma reação de servidores, o deputado Ricardo Arruda saiu antes da invasão. Os demais deputados permaneceram ilhados no plenário. Após o fim da sessão, os parlamentares conseguiram deixar o local normalmente. Alguns funcionários da Assembleia ficaram nervosos com a situação. 

Mesmo com a saída dos deputados do plenário, servidores gritavam "sem a data base da Alep ninguém sai". 

Funcionários da Assembleia retiraram os profissionais da imprensa que estavam registrando a situação, alegando questões de segurança. Sem a presença da imprensa, os servidores permaneceram nas galerias.

A sessão desta quarta-feira (10) está marcada paras às 9 horas e é para ser a última antes do recesso parlamentar, mas, por enquanto, não há perspectiva de que os servidores saiam das galerias da Assembleia. É possível que a ocupação permaneça. Mutos dizem que só saem quando o governo apresentar uma proposta. 

O deputado Tadeu Veneri disse ao fim da sessão que a confusão só ocorreu após a manifestação do deputado Ricardo Arruda. "Uma manifestação até bastante tranquila do ponto de vista dos servidores, que tentavam fazer suas reivindicações, eles (servidores) estavam nas galerias, mas infelizmente houve a meu ver uma manifestação talvez não adequada do deputado Arruda que ao fazer um comparativo de salários e dizer que os salários dos servidores estavam acima, em termos de reajustes nos salários, dos deputados. Isso não é correto. Os ânimos que já estavam acirrados se transformaram em uma grande confusão", disse. 

Na semana passada, o governador Ratinho Júnior (PSD) apresentou proposta de reajuste de 5,09% parcelado até 2022, com pagamento de 0,5% a partir de outubro deste ano; 1,5% a partir de março de 2020; 1,5% a partir de janeiro de 2021 e 1,5% a partir de janeiro de 2022. As duas últimas parcelas, porém, ficariam condicionadas ao crescimento da receita do Estado em relação ao ano anterior em 6,5% e 7%, respectivamente.

Ontem, o governo apresentou nova proposta, com pagamento de reposição de 2% em janeiro de 2020 e o restante parcelado até 2022 de acordo com o cronograma original. O Fórum das Entidades Sindicais (FES/PR) manteve a posição de defender o reajuste imediato de 4,94%, referente à inflação de abril de 2018 a maio de 2019, mas sinalizou que pode aceitar o parcelamento, desde que os 2% sejam pagos ainda este ano, em outubro. 

O líder do governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri, do PSD, afirmou que a retirada do regime de urgência da votação da proposta de reajuste sinaliza para novas mudanças na proposta. A repercussão negativa do projeto na Assembleia Legislativa, incluindo na base do próprio governo e parlamentares da chamada "bancada da bala", que representam policiais civis e militares, levou o Executivo a retomar as conversas. 

Diante da nova negociação e a decisão do governo de retirar o regime de urgência, o presidente da Assembleia, Ademar Traiano, disse que a votação da proposta será adiada para agosto, depois do recesso parlamentar de julho. Segundo Traiano, os deputados vão encerrar as votações nesta semana.

Foto: Franklin Freitas

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