Robô serve de cão-guia para deficientes visuais

Com bateria recarregável, Lysa tem funções semelhantes às de um cão-guia convencional

20/09/17 às 23:00 - Atualizado às 09:02
Robô Lysa significa mais autonomia e qualidade de vida (foto: Reprodução)

Os cães-guias significam mais autonomia e qualidade de vida para deficientes visuais. Porém, apresentam questões como altos custos para treinamento, restrições para entrada em alguns ambientes, tempo curto de vida dos animais e despesas e trabalho quando ficam doentes. Pensando em colaborar com os deficientes visuais de maneira mais assertiva, prática e econômica, uma equipe de pesquisadores no Espírito Santo desenvolveu um robô cão-guia, que já está disponível no mercado. 

Com bateria recarregável, o robô Lysa tem funções semelhantes às de um cão-guia convencional. É dotado de dois motores e cinco sensores que avisam ao deficiente visual, por meio de mensagens de voz gravadas, quando há no percurso buracos, obstáculos e riscos de colisões em altura. A intenção é que chegue ao mercado com cerca de 3,5 quilos.

O robô começou a ser pesquisado por usa idealizadora Neide Sellin em 2011. “Melhorar a vida das pessoas a partir do desenvolvimento de tecnologias era um sonho antigo, que foi ganhando cada vez mais espaço na minha vida. O projeto deu origem a uma startup e hoje estamos todos determinados a finalizar o produto e disponibilizá-lo o mais rápido possível para o mercado”, finaliza Neide.

A aposentada Joelva Gomes, que perdeu a visão na adolescência devido à degeneração macular, foi a consultora para o desenvolvimento de Lysa. Para ela, a maior dificuldade dos deficientes visuais é escapar de obstáculos que ficam em altura a partir da cintura, como galhos de árvores.

“A gente não consegue perceber esses obstáculos com a bengala, dificilmente você encontra algum deficiente visual que não tenha uma cicatriz da cintura pra cima. O robô vai nos dar maior independência e segurança ao nos alertar de coisas que a bengala não percebe, nos possibilitando ir trabalhar, estudar ou se divertir e voltar para casa de forma segura”, diz ela, que é formada em Direito e tem pós-graduação em Docência do Ensino Superior.

A irmã de Joelva, Sandra Pagotto, também é deficiente visual e acompanhou a criação do produto. “O robô beneficia principalmente as novas gerações de deficientes visuais, mas mesmo as pessoas de gerações menos habituadas com tecnologia aprendem a utilizá-lo de maneira rápida e fácil”, garante.


País tem 6,5 milhões de cegos

Em todo o Brasil há cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual severa e já existe uma lista de espera de 450 nomes interessados em utilizar o produto. A idealizadora do projeto cão-guia Neide Sellin lembra que devido à insegurança para circular sozinhos, muitos cegos permanecem reclusos em suas residências, deixando de estudar ou trabalhar, o que significa muitas vezes ter dificuldades financeiras para eles e suas famílias. “Em muitos casos eles ficam dependentes de outra pessoa, que também tem sua rotina impactada. Estima-se que no Brasil existam 10 milhões de pessoas afetadas de alguma maneira pela deficiência visual”, explica.

A equipe que desenvolveu o projeto conta com oito pesquisadores envolvidos na criação do cão-guia robô, todos bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O robô foi apresentado em novembro do ano passado em um evento do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro onde mais de 120 pessoas com deficiência visual tiveram a oportunidade de conhecer Lysa.

Em 2016, o grupo de pesquisadores de Espírito Santo buscou recursos para implantar o protótipo por meio de financiamento coletivo. Foi lançada uma campanha de crowdfunding pelo Kickante, com o objetivo é arrecadar R$ 100 mil, para a produção de dez robôs cães-guias, que foram doados a deficientes visuais, permitindo os primeiros testes e possibilitando a sugestão de melhorias para aperfeiçoar o produto. O valor mínimo de doação é R$ 10 e quem doar a partir de R$ 10 mil terá seu protótipo garantido.


Robô Lysa

  • Sensor ultrassônico que evita colisões em altura, como orelhões;
  • Sensor infravermelho que evita acidentes com buracos;
  • Sensor ultrassônico que evita colisões com obstáculos a frente;
  • Placa de comando de voz;
  • Desvio automático de obstáculos;
  • Informação por voz (buraco encontrado, 
  • obstáculo aéreo, e objetos a frente);
  • Bateria recarregável;
  • Equipamento muito leve;
  • Saída de áudio via fone de ouvido.


+ em http://www.caoguiarobo.com.br

0 Comentário

Você precisa acessar o seu perfil para comentar nas matérias.

Blogs
Ver na versão Desktop