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German Lorca e Leonardo Finotti são destaques da SP-Foto

O olhar intuitivo ou o zelo geométrico, o trabalho mecânico com os negativos ou o mínimo possível de interferência digital nas fotos, a formação acidental ou universitária: esses e outros temas aparecem na conversa entre German Lorca, de 97 anos, e Leonardo Finotti, de 42, em encontro proposto pelo jornal O Estado de S. Paulo na última quinta-feira, 22. Os dois fotógrafos - de gerações e estilos distintos - estão com obras na SP-Foto 2019, que chega neste domingo, 25, ao seu último dia. A feira no Shopping JK Iguatemi funciona das 14h às 20h e tem entrada gratuita.

Nome central da fotografia brasileira do século 20, German Lorca recebeu a reportagem e Finotti em seu novo ateliê, no Jardim Novo Mundo, zona sul de São Paulo. Aos 97 anos, ele ainda esbanja disposição - no dia anterior, havia passado horas e horas no estande da galeria Utópica na SP-Foto, onde algumas de suas obras, como Fusca (1970) e Folhagens (1960), estão à venda. "Nem vi nada da feira porque o melhor é ficar no estande para vender", conta, aos risos.

Bem-humorado, lembra-se de histórias do início da carreira, nos anos 1950, como quando viajou a Altamira, no Pará, e teve que se escalar em um voo de um teco-teco lotado - cujo piloto, recorda-se, brandia um bafo de cachaça - ou de quando sua cônjuge na época quebrou uma câmera por reprovar a mudança de carreira da contabilidade para a fotografia. "Eu não aprontei nada!", defende-se. Conta que falando com o amigo fotógrafo Claudio Edinger, 30 anos mais novo e recentemente caminhando com auxílio de muletas, provocou: "vem cá, vem cá!".

O senso intuitivo da fotografia de Lorca - momentos capturados, o instante decisivo que ensinou Cartier Bresson - transparece com sua conversa fácil.

Finotti, por outro lado, usa com obsessão as dimensões geométricas da arquitetura, seu tema de escolha. Formado na área e com pós-graduação na Bauhaus Foundation, na Alemanha, ele também está com uma mostra em que estuda como o movimento moderno da escola reverbera no Brasil. Sotaques Paulistanos da Bauhaus fica na Casa Modernista até março de 2020.

No diálogo, quando Finotti mostra para Lorca, em um de seus livros, como as linhas dos edifícios coincidem com as diagonais da foto, o veterano desconfia. "Para mim não é assim", diz, sempre com humor. Mas elogia uma foto que Finotti fez em Havana, de uma piscina vazia utilizada como campo de futebol. "O estilo de cada um é a interpretação", diz Lorca.

"Eu nunca quis ser fotógrafo", conta Finotti. "Mas quando comecei a estudar arquitetura tive um professor de fotografia, uma figura apaixonante, e a paixão dele me aproximou do trabalho." Lorca, por sua vez, conta que buscou a fotografia para registrar os momentos com os filhos - como quando fotografou o filho Fred comendo uma maçã. "A curadora do MoMA veio aqui, gostou e agora a foto está num livro grande assim", diz, fazendo volume com os dedos. "Se vai começar a fazer fotografia, faça umas boas para ter bons rendimentos", ri. "Você saiu da contabilidade, mas a contabilidade não saiu de você, não", comenta Finotti. Uma concordância é que o fotógrafo precisa sair da zona de conforto para alcançar bons resultados.

Na SP-Foto, Finotti tem fotos em colaboração com o artista suíço Mayo Bucher, do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou em maio de 2018 no centro de São Paulo. No estande da Galería Zielinsky (Barcelona), também é possível encontrar fotos da série Brutiful. "Todo mundo acha que a arquitetura brutalista é uma coisa horrorosa, então eu brinco com isso e as fotos vão por aí", explica.

Neste último dia, além das visitas guiadas, a programação da SP-Arte promove encontros com os fotógrafos Mauro Restiffe (16h) e Barbara Wagner e Benjamin de Burca (17h). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

SP-FOTO

Shopping JK Iguatemi. Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2.041, tel. 3152-6800. Dom. (25), 14h/20h. Até 25/8

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