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Emergência Hídrica só piora

Nível das barragens que abastecem Curitiba está abaixo de um terço

A Barragem do Cayguava, também conhecida como Piraquara I: estiagem revela detalhes preservados desde a formação do lago, na década de 1970
A Barragem do Cayguava, também conhecida como Piraquara I: estiagem revela detalhes preservados desde a formação do lago, na década de 1970 (Foto: Franklin de Freitas)

Pela primeira vez desde o início da crise hídrica, nesta semana o nível das barragens que abastecem Curitiba e região metropolitana está abaixo de um terço da capacidade total. De acordo com dados da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o nível médio dos quatro reservatórios de água da RMC estava em 31,96% na última segunda-feira, sendo que da última para esta semana a piora foi considerável.

Na Barragem do iraí, por exemplo, o nível estava em 15% na semana passada e nesta chegou a 11,17%. No Passaúna, o porcentual passou de 36,5% para 34,29% em sete dias. Já em Piraquara I e Piraquara II, os níveis passaram de 33% e 88% para 20,76% e 96,66%, sendo importante destacar que Piraquara II é geralmente a última barragem a ser utilizada e geralmente mantém-se com níveis elevados por mais tempo. Dessa forma, de uma semana para outra o nível das barragens que abastecem a RMC passou de 34% para 31,96%.

Não é de surpreender, então, que mesmo com a chuva ontem na capital paranaense a situação ainda seja de extrema gravidade. O Paraná, inclusive, já decretou Situação de Emergência Hídrica e moradores de Curitiba e região convivem com um rodízio no abastecimento de água desde o mês de março. Segundo a Sanepar, a medida reduz diariamente o fornecimento de água para 20% da população e ajuda com a meta de garantir níveis mínimos de reservação até o período das chuvas, previsto somente para depois de setembro.

Nesta quarta-feria (29), inclusive, o 'Bem Paraná' foi até a Barragem do Cayguava (também conhecido como Piraquara I), um dos principais cartões postais do município metropolitano. E as imagens que mostram como o local está sofrendo com os efeitos da estiagem chamam a atenção, inclusive revelando detalhes preservados desde a formação do lago, na década de 1970.

Um exemplo é a chaminé da Casa de Bombas, imponente monumento que se sobressaia dentro da barragem e que agora se encontra fora da água. O nível baixo do reservatório ainda expõem vestígios da antiga estrutura que por muitos anos fez parte do sistema de abastecimento de água que funcionava ali. Estradas utilizadas durante a construção do reservatório, assim como um antigo portão com o símbolo da Sanepar, também reapareceram.

Diante da situação, é necessário o comprometimento de toda a sociedade, que deve adotar medidas de uso racional da água, priorizando a alimentação e higiene pessoal. Outras atividades, como lavar carros e calçadas, por exemplo, devem ser adiadas para quando passar o período de estiagem.

Estiagem é a mais grave desde a década de 1980

Desde 1961, primeiro ano com dados disponíveis no BDMEP (Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa) do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas em três ocasiões Curitiba teve índices de precipitação de chuva (em milímetros) menos do que os verificados neste ano, entre os meses de janeiro e julho.

Em 2020, até o dia 28, a estação meteorológica de Curitiba havia registrado um acumulado de 367,6 milímetros de chuva. A média histórica para o período é de 875,2, o que significa que neste ano choveu, ao menos até aqui, 58% a menos do que a média.

Seca tão ou mais grave que essa só se viu há cerca de 40 anos, nos anos de 1980, 1981 e 1985. No primeiro, a precipitação acumulada até julho foi de 160,1 mm. No segundo, o valor foi ainda menor, com 47,9 mm. E no terceiro, a precipitação acumulada foi de 330,5 mm.

Índice pluviométrico melhora, mas de forma muito lenta

Por outro lado, a boa notícia é que a situação das chuvas parece estar normalizando no Paraná, mesmo que ainda de forma lenta - historicamente são os meses de janeiro e fevereiro os mais chuvosos, seguido por dezembro, e outubro.

Entre os meses de junho e julho foi registrado um acumulado de chuva de 179,6 milímetros em Curitiba, um pouco abaixo da média histórica para o período (198,3), mas um resultado melhor do que o verificado nos mesmos meses de 2019 (135,5), por exemplo.

Na quarta-feira mesmo, inclusive, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) registrou uma precipitação acumulada de 7 mm em Curitiba.

Para esta quinta-feira (30), a expectativa é de mais um dia frio na capital paranaense, com a ocorrência de chuva durante a madrugada. A expectativa, entretanto, é de que esse clima mais úmido não se prolongue por muito mais tempo, com a estiagem voltando a ‘reinar’ antes mesmo do final de semana.

Nível dos reservatórios que abastecem a RMC
20 de julho
Iraí: 15%
Passaúna: 36,5%
Piraquara I: 33%
Piraquara II: 88%
Média: 34%
27 de julho
Iraí: 11,17%
Passaúna: 34,29%
Piraquara I: 20,76%
Piraquara II: 96,66%
Média: 31,96%

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