Balanço de 2019

Casa da Mulher Brasileira faz 44 mil atendimentos

(Foto: SMCS)

Curitiba avança na Política para Mulheres em 2019, com ações preventivas, campanhas de conscientização social e atendimento às mulheres. Desde a abertura da Casa da Mulher Brasileira, referência nacional no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, em junho de 2016, foram realizados 44 mil atendimentos.

Outra conquista importante para a área foi a integração da Delegacia da Mulher à Casa da Mulher Brasileira. A delegacia passou a funcionar em março, no mesmo prédio. Agora, a Casa reúne, no mesmo local, todos os serviços necessários para que a mulher saia do ciclo de violência.

A mudança contribuiu para o aumento de 60% no número de atendimentos, com relação ao ano passado. Em 2018, 11 mil mulheres foram atendidas na casa. Já em 2019, foram mais de 18 mil atendimentos; destas, 149 mulheres e 169 crianças precisaram de alojamento temporário.

Segundo Elenice Malzoni, assessora de Diretos Humanos e Políticas para Mulheres da Prefeitura, o aumento expressivo no número de atendimentos ocorreu em razão do trabalho de prevenção e divulgação dos canais de denúncia realizados durante todo o ano. “Isso se deu devido à divulgação massiva de campanhas preventivas de violência doméstica que aconteceram em todas as regionais da cidade, mutirões, blitzes informativas para homens e mulheres, ações do Ônibus Lilás, além da integração da delegacia, que trouxe mais agilidade no atendimento”, disse Elenice.

A campanha de conscientização social de maior destaque foi lançada em março: “Vire a Página”. O livro conta histórias de superação de mulheres vítimas de violência doméstica que foram atendidas pela Casa da Mulher Brasileira ou Pousada de Maria. A publicação está disponível para download gratuito no site vireapagina.com.br e conta 19 histórias de mulheres que sofreram violência e saíram do ciclo de agressões.

O livro digital traz, de um lado, o Boletim de Ocorrência e, do outro, uma carta feita a mão pelas mulheres que participaram do projeto. Também apresenta estatísticas sobre a violência contra a mulher, orientação sobre os tipos de violência e os canais de denúncia.

A versão pocket foi distribuída em ações do Ônibus Lilás, nas dez regionais da cidade. Ao todo, 5 mil exemplares chegaram às mãos das mulheres. Além disso, a campanha foi divulgada fortemente pelos veículos de comunicação e finalista do Prêmio ADVB de Marketing 2019, graças ao apelo social da campanha.

No site da campanha, a população tem acesso aos serviços da Prefeitura direcionados ao público feminino, como: Programa Mãe Curitibana, Pousada de Maria, Patrulha Maria da Penha, Unidade de Acolhimento a Pessoa Idosa, Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Rede de Proteção, Prêmio Empreendedora Curitibana, entre outras.

Defesa pessoal

A Prefeitura de Curitiba é pioneira, mais uma vez, ao ofertar aulas de defesa pessoal, gratuitamente, para mulheres. As curitibanas estão aprendendo a lutar pelos seus direitos e pela sua integridade física. 

Em 2019, a Assessoria de Direitos Humanos e Política para Mulheres passou a oferecer aulas de defesa pessoal, com professores do Instituto Shogun. Mas o aprendizado vai além dos golpes. Durante o curso, as mulheres aprendem sobre os direitos contidos na Lei Maria da Penha e conhecem os serviços oferecidos pela Prefeitura para vítimas de relacionamentos abusivos.

As aulas das duas primeiras turmas aconteceram na Casa da Mulher Brasileira e tiveram as vagas esgotadas.  As aulas são para mulheres a partir de 18 anos, incluindo mulheres com deficiência, mulheres transsexuais e transgêneros.

O programa “Sou Curitibana, Sei me Defender” começou na Casa da Mulher Brasileira de forma experimental e deverá percorrer as dez regionais da cidade, chegando mais perto da população.

Denise Moraes, diretora do Departamento dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Curitiba, explica a importância de incluir mulheres com deficiência nesta iniciativa.

“Uma mulher cega, por exemplo, não sabe nem de que lado vem a agressão. É muita covardia e crueldade. Pessoas com deficiência intelectual ou Transtorno do Espectro Autista têm dificuldade de compreensão do que está acontecendo”, disse Denise.

Dayane Bubalo Mendes, deficiente visual, foi uma das primeiras alunas do curso. “A gente consegue prestar atenção nos movimentos das pessoas, mas se for uma questão de violência vai ser muito rápido, não vai ter como prestar atenção. Com a aula, a gente vai poder ter a noção de onde vem a agressão, como vem e como podemos nos defender”, conta Dayane.

Sensibilização

Os homens também são convocados a repensar seus papeis na luta contra a violência. Em dezembro, a Assessoria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres realizou uma blitz para sensibilizar o público masculino com relação à necessidade de engajamento pela mudança de ideias e comportamentos machistas e agressivos.

Motoristas e pedestres receberam um material informativo que falava sobre os tipos de violência doméstica tipificadas na Lei Maria da Penha – sexual, física, patrimonial, psicológica e moral, no Centro da cidade. “Não pratique, não se omita, denuncie. Estamos convocando os homens a lutar contra a violência de gênero”, explicou a assessora de Direitos Humanos e Política para Mulheres da Prefeitura, Elenice Malzoni.

Segundo Nelson Murakami, servidor público, o aspecto mais interessante da blitz foi ela ser direcionada aos homens. “Normalmente vemos campanhas para as mulheres, para que elas denunciem a agressão. Interessante convocar os homens à reflexão sobre a violência e, principalmente, mostrar que há consequências legais”, afirmou Murakami.

Foram distribuídos dois mil flyers que, além das explicações, trazem os telefones para denúncia e para acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica em Curitiba – Casa da Mulher Brasileira e Fundação de Ação Social (FAS). Além disso, foram usadas faixas da campanha, impactando pessoas que passavam pelo local de bastante movimento.

Informação e acolhimento nas dez regionais

O Ônibus Lilás leva informações sobre os tipos de violência contra a mulher para a comunidade. Em março de 2019, percorreu unidades de saúde das dez regionais da cidade. A iniciativa tem objetivo de alertar a população com relação à violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

As mulheres têm acesso a atendimento psicológico dentro do ônibus, acolhimento de denúncias e orientações sobre os direitos contidos na Lei Maria da Penha, entre outros serviços. O atendimento é gratuito, basta ir ao local.

Além das dez regionais, o ônibus esteve em outros eventos durante o mês de março: comemoração de 60 anos da PUC-PR (14/3); na Unidade de Saúde Eucaliptos, durante o Mutirão de Saúde da Mulher (24/3); e na festa de aniversário de Curitiba (31/3), no Parque Barigui.

A Prefeitura também levou capacitação para os bairros. Igrejas, unidades de saúde e escolas receberam 1.500 mulheres para participarem, gratuitamente, de uma palestra sobre a Lei Maria da Penha no segundo semestre deste ano.

Líderes comunitárias, agentes da saúde, educadoras sociais e a comunidade participaram com a intenção de disseminar essas informações para a comunidade e também conheceram a campanha Vire a Página.

Profissionais da beleza aprendem sinais de alerta da violência doméstica

A Prefeitura de Curitiba levou informações sobre violência doméstica aos profissionais da beleza que participaram do 6º Meeting Hair & 2ª Barber Beauty, em maio de 2019, no Shopping Crystal.

O objetivo da ação foi sensibilizar os profissionais para serem aliados da Prefeitura na prevenção e no apoio a mulheres vítimas de violência doméstica. A ação é uma parceria com o Sindicato dos Profissionais Autônomos em Beleza e Estética do Paraná.

A parceria também resultou num curso de capacitação, promovido pela Assessoria de Direitos Humanos e Política para Mulheres, para 280 profissionais de beleza interessados, em junho de 2019, na Casa da Mulher Brasileira.

Os profissionais fizeram, gratuitamente, o curso da capacitação Identificando Sinais de Alerta, para auxiliarem as suas clientes em relacionamentos abusivos. Elas aprenderam os sinais, os canais de denúncias e os serviços da Prefeitura.

Cleusa Aparecida Mariano é proprietária de uma clínica de estética na cidade. Se interessou pela capacitação porque ela e a filha já foram vítimas de violência. Segundo Cleusa, é comum receber clientes que vivem relacionamentos abusivos. Elas contam suas histórias e é possível ver sinais de violência física.

“Aprendi que a violência transcende classe social e que podemos, de várias formas, ajudar essas mulheres”, afirmou.

Curitiba Mulher

A plataforma Curitiba Mulher integra as secretarias municipais para ampliar os serviços ao público feminino e desenvolver campanhas de conscientização de temas como saúde, empreendedorismo e empregabilidade, além de combater e promover a prevenção à violência e ao assédio sexual.

A Assessoria de Direitos Humanos e Política para Mulheres realiza nesta plataforma o mutirão Curitiba Mulher. A primeira edição foi realizada em junho de 2019, na Rua da Cidadania da Matriz, na Praça Rui Barbosa, e atendeu 2.700 mulheres. Iniciativa inédita, o mutirão proporcionou acesso a serviços gratuitos de beleza, saúde, qualificação profissional e orientações contra violência doméstica.

Outras ações afirmam os avanços da área em 2019, como a presença na Casa da Mulher Brasileira de Curitiba no 6o Congresso Internacional de Violência Contra a Mulher, que aconteceu na Cidade do Cabo, África do Sul. A equipe apresentou a proposta de implantação de uma plataforma online de apoio à tomada de decisão e planejamento de segurança para mulheres vivendo com violência doméstica.

Na ocasião, a proposta foi inscrita no Prêmio 2020 do Grupo Banco Mundial para a Inovação em Prevenção a Violência de Gênero, com a solicitação de um aporte de 100 mil dólares. O resultado será divulgado em fevereiro de 2020.

A Assessoria também investiu na reorganização dos planos de trabalho para a renovação de convênios com o Governo Federal, que permitirá a compra de equipamentos para incrementar o órgão gestor e a oferta de capacitações sobre direitos humanos e prevenção à violência contra a mulher.

 

Atendimentos em números

  • 44 mil atendimentos, desde junho de 2016;
  • Mutirão de serviços atende 2,7 mil mulheres na Rui Barbosa;
  • 18 mil atendimentos em 2019. Aumento de 60% em relação a 2018;
  • Ações preventivas nas dez regionais da cidade;
  • Distribuição de 5 mil pockets Vire a Página;
  • Primeira blitz para mobilização masculina contra a violência doméstica. Foram distribuídos dois mil flyers;
  • Capacitação de 1.500 pessoas sobre a Lei Maria da Penha
  • Capacitação de 280 profissionais da beleza sobre os sinais de alerta de relacionamentos abusivos